Devocionais Vida cristã

Está pronto para ser homem de família? Deveria.

Escrito por Aline Ribeiro

“Vós, maridos, sedes ‘capitães do time…’”

Se você é cristão há pelo menos um ano, já deve ter ouvido uma pregação sobre as “funções” de cada parte da família no lar. Efésios 5 é um ótimo exemplo de como as relações familiares devem ser estabelecidas:

Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos.
Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne”. Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja. Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito.” (Efésios 5:22-33 – NVI)

Apesar do tom conjugal, este texto, no geral, não é sobre casamento e sim sobre problemas conjugais que determinados comportamentos, especialmente de homens solteiros, podem trazer ao longo do tempo. Sim, eu sei que se você é homem, provavelmente já está listando um monte de comportamentos femininos que também podem atrapalhar a vida matrimonial ou então está pensando que lá vem o mimimi. E, sim, eu sei que um texto poderia ser escrito a respeito das mulheres e isso pode ocorrer num momento futuro. Mas resolvemos trazer este assunto hoje, pois é algo que notamos no blog e pensamos em escrever a respeito.

Por mais que o bibliosofando seja bem igualitário entre seus escritores, em geral, 80% dos acessos do blog são femininos. E a média se mantém, independentemente do assunto. Percebemos essa grande discrepância num assunto bem teológico (Tomar a ceia indignamente ou indigno?), que normalmente é o argumento usado pelos homens para explicar a (falta de) leitura: “a gente prefere os assunto mais sérios, enquanto as meninas preferem os textos devocionais e comportamentais”. Nessa publicação, houve até o comentário de uma menina marcando o namorado e dele desdenhando da publicação ao estilo “Nemly e Nemlerey”.

Esse argumento foi completamente derrubado com os dados do último texto. Mas, essa não é uma tendência dos leitores do blog apenas, e sim global. Estudos recentes mostram que, apesar de seu direito tardio à educação, mulheres/meninas leem mais que os homens/meninos.

Como professora da classe de jovens da Escola Bíblica Dominical, por três anos, em minha antiga igreja, via estes dados escancarados. A grande maioria dos alunos assíduos era feminina e essa diferença era observada principalmente entre os solteiros. A maioria dos meninos frequentes estava acompanhada de suas namoradas ou esposas, enquanto as meninas frequentavam em maior número independente de companhia masculina ou não. Pelo que tenho percebido, este é um quadro comum também em outras igrejas. Se também observarmos as redes sociais, notaremos um número crescente de páginas voltadas às mulheres que se interessam por teologia.

“Ok, mas o problema da falta de leitura dos rapazes é meramente educacional. O que isso tem a ver com questões espirituais?”. O problema não é meramente educacional e tem implicações seriíssimas na vida espiritual. É meio óbvio, mas jovens que não se interessam por leitura dificilmente lerão por vontade própria. E quando falamos de cristianismo, sabemos que nosso manual de fé e prática encontra-se num livro. Então, já começamos com a leitura bíblica prejudicada. Além disso, todos os livros de “apoio às Escrituras” acabam se tornando um fardo, quando, juntamente com a leitura bíblica, deveriam ser um prazer.

Se lemos pouco, nossas chances de aprendizado diminuem consideravelmente. Não descarto as experiências pessoais, porém, quando olhamos pela história, vemos que homens como Spurgeon, Edwards, Lutero e muitos outros passaram a maior parte da sua vida debruçados sobre a Bíblia, a fim de aprenderem mais sobre o Deus que eles pregavam e diziam amar.

Eu não estou dizendo que todos os meninos serão pregadores, porém todos aqueles que se casarem serão líderes espirituais de suas casas (1 Coríntios 11.3). E aí é que mora o perigo. Será que essa geração de rapazes que não leem está preparada para assumir essa responsabilidade?

Lembro que, uma vez, uma amiga disse que eu tinha que parar de estudar a Bíblia, porque meu (futuro) marido deveria saber mais sobre o assunto que eu e que esse era o motivo de eu estar solteira. Respondi que se ele quisesse saber mais que eu, ele deveria estudar mais que eu. Ela rebateu dizendo que eles não querem isso. Terminei dizendo que o tipo de cara que não quer estudar a Bíblia não é o tipo de cara pra ser marido de nenhuma mulher cristã, muito menos meu. (Notem que até mesmo meninas que não se importam de se casarem com meninos que não querem estudar a Bíblia já perceberam que existem meninos que não querem estudar a Bíblia).

Guiar espiritualmente uma família é muito mais complicado do que parece. É só pensar que, além de você, existirá pelo menos mais uma pessoa de quem você deverá cuidar, interceder, estimular e incentivar a seguir o caminho das Escrituras. Como isso será possível se ao invés de se prepararem, os jovens hoje perdem mais tempo em realidades virtuais, ou preocupados com a pontuação dos jogadores no Cartola FC, ou em como ganhar mais likes em redes sociais? Veja bem, eu não tenho nenhum problema com jogos ou com a questão da tecnologia. Inclusive, esse texto não chegaria até você se não fosse por ela. A questão é a prioridade que isso ocupa em sua vida.

Eu já vivi algo parecido. Na época que explodiu no Brasil, eu vivi a febre Fake do Orkut. Tive lá meu perfil, conheci pessoas de todos os cantos do Brasil e montamos nossas famílias virtuais. Cheguei a deixar de sair com amigos ou passar tempo com a família por causa disso. Na internet, as coisas são mais bonitas, mais fáceis e nos dão a maravilhosa sensação de controle.

Do lado de fora é diferente. Existem pessoas cheias de defeitos nos cercando, pessoas que não escolhemos para ser nossa família e que, em grande parte das vezes, não nos compreendem. Eu sei como é isso. Além do mais, do lado de fora, não podemos controlar nada. Até temos uma ilusão de que tudo vai correr bem se nos planejarmos direito, mas imprevistos acontecem toda a hora (Tiago 4.13-15; Provérbios 16.1 e 9) e volta e meia nos frustramos.

Sair do virtual para focar no real é aprender a confiar exclusivamente em Deus. É saber que somos incapazes de lidar com tudo e que, uma hora ou outra, seremos chacoalhados e até mesmo derrubados e teremos que aprender a nos levantar. Encarar a realidade é difícil. É anular a vontade de controlar, mas com o nosso ego gritando a todo momento que conseguimos fazer tudo da nossa maneira e que se for diferente disso, dará errado. Às vezes a gente não se prepara para encarar a realidade porque, no fundo, a gente não quer encará-la. E desviamos o foco porque não queremos nos sentir mal por causa disso.

“E se eu falhar? E se não for como eu estou pensando?”. Essas são perguntas bem comuns, especialmente entre nós, jovens, que estamos definindo os rumos da vida. Só que a única resposta possível pra um cristão que se faz essas perguntas é confiar em Deus. É saber que mesmo que falhemos, mesmo que nossas expectativas sejam frustradas ou que tudo dê errado, existe um Deus cuidando de nós, nos ensinando em cada tropeço, para que fiquemos cada vez mais parecidos com Ele.

Paul Washer tem uma frase para jovens rapazes que enfrentam esse problema de não se prepararem: “Saia do Facebook e vire homem!”. Largue isso que te prende, seja perfil, seja jogo ou o que quer que seja que não leva sua vida pra frente. Lembre-se que sua (futura) família só vai para o culto na igreja 2-3 vezes na semana, nos outros dias, o responsável por ela é você, rapaz. E como diz o texto de Efésios, citado lá em cima, você deve amar a sua esposa como Cristo amou a igreja, incondicionalmente, ajudando na sua santificação. Como você vai fazer isso fugindo da realidade?

Eu sei que tudo isso não é fácil. Mas tire um tempo após ler esse texto apenas para orar a Deus sobre o assunto. Pergunte se você tem sido o jovem que Deus quer que você seja, se você tem se preparado para o futuro que tem pedido a Deus para ter. E se você já sabe que precisa mudar alguma coisa, peça a Deus força e sabedoria para conseguir. Fale com o seu pastor e seja ativo na área de estudo, seja na EBD ou outro formato de curso de que sua igreja disponha. Mas não desista, continue firme no propósito, mesmo com todas as dificuldades que encontrará adiante.

(A intenção desse texto não é fazer propaganda, mas você também pode frequentar o blog com mais frequência. Nossa missão é ter sempre conteúdo sério, mas simpático. Pode ser uma ótima porta de entrada para seu estudo de teologia.)

E se você é uma menina/mulher e leu até aqui, ore por isso também. Por você, pelo seu preparo. Ore para que Deus ajude você a ajudar seus irmãos, seus amigos, seus filhos (caso os tenha) a se tornarem preparados para serem aquilo que Deus deseja que eles sejam: homens. Responsáveis, dedicados, amorosos e tementes a Deus.

Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. (Colossenses 3.2 NVI)

Que Deus nos abençoe.

Imagem destacada: “Small Book“, por Colin Dunn


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Sobre o autor

Aline Ribeiro

Cristã, bióloga, professora, bibliófila, meio nerd, meio escritora, meio pianista e, como a foto sugere, meio besta.

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