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Enfrentamento do pecado é o que faz o Cristianismo diferente?

Em meio a um turbilhão de comentários nas redes sociais sobre Cristianismo e perdão, achei um que me chamou a atenção. Ele começava com uma pergunta: “Sabe o que faz do Cristianismo diferente de todas as outras religiões?”, e discorria de maneira mais decepcionante do que o final de Lost sobre o enfrentamento do pecado.

Eu entendo que a questão do enfrentamento do pecado gere uma certa euforia em pessoas ávidas por justiça, mas sinto informar, não existe nada mais clichê, em termos de religião, do que o enfrentamento do pecado. Praticamente todas as religiões enfrentam o pecado.

Pode enfrentar o pecado quando desaconselha ou condena determinadas condutas, estipulando um padrão moral e comportamental a ser seguido, como o Budismo. Ou quando persegue aqueles que ofendem a divindade, como no Islamismo. Ou então quando colocam as divindades em posição de requerer ofertas e temor, como no Hinduísmo. Tudo isso pode ser definido como enfrentamento do pecado. E eu não vou nem falar no Judaísmo.

É claro que você encontra o enfrentamento do pecado também no Cristianismo. Há um padrão a ser seguido e um Deus a ser respeitado. Mas isso definitivamente não o faz diferente de nenhuma religião. Então qual a grande diferença do Evangelho? Quais as grandes boas novas?

A grande diferença do Cristianismo para qualquer outra religião é que apesar de Deus rejeitar e odiar o pecado, ele vai te amar mesmo que você ainda peque. Somente o Evangelho separa o pecado do homem, somente no Evangelho encontramos um Deus apaixonado que envia Seu filho para morrer no lugar dos que cometeram a ofensa. Somente no Evangelho, Deus ama o transgressor, corre em direção a ele, sacrifica-se e o abraça, quando este ainda estava morto em suas transgressões e pecados.

A grande novidade do Evangelho é um Deus que enfrenta o pecado, enquanto abraça o pecador. E esse enfrentamento do pecado é tão maravilhoso que ao mesmo tempo em que nos separa dele para punição somente do pecado, não do pecador, nos separa dele para a prática, que também fica cada vez mais distante, mais fraca, mais rara. Somente no Cristianismo, o enfrentamento do pecado nos leva a deixar o pecado por amor, não por medo.

O Cristianismo aceita e abraça o pecador enquanto ele ainda está sujo, para que suas manchas e feridas sejam tratadas ao longo da caminhada, não antes dela. Quer conhecer a Cristo? Venha como estás. Você é aceito. Caminhe com Cristo e receba o Espírito Santo dentro de você. Seus pecados serão trabalhados ao longo da caminhada, não se preocupe com eles antes do tempo, simplesmente venha.

No Judaísmo, o pecador era tratado como imundo, apedrejado, morto em praça pública, e isso era enfrentamento do pecado. No Cristianismo, os pecadores de Corinto foram chamados de santos de Corinto, e por terem se metido com prostitutas foram advertidos por Paulo: “O Espírito Santo de Deus habita em vocês”, e isso era enfrentamento do pecado.

Para lhe situar melhor e destacar o que estou expondo, na carta aos Coríntios, Paulo tem que lidar com pecadores que se deixam levar por prostitutas e todo tipo de pecado sexual. Se fosse enfrentado o pecado desse povo como a maioria entende que deve ser, o tom da carta seria um tom ríspido, chamando à conversão, como se eles ainda não conhecessem a Cristo. Talvez seria repleta de advertências sobre a morte e o inferno, ou até xingamentos gospel como “filhos do diabo”, “falsos cristãos”, ou “vocês estão brincando de ser crentes”.

Ao invés disso, Paulo foi paciente (afinal, o amor é paciente, tudo suporta) e compreensivo, advertindo: “Não sabeis vós que vosso corpo é templo do Espírito Santo?”. Paulo acreditava que a aceitação, não o confronto, geraria arrependimento e abandono do pecado, e assim pregou.

A aceitação é uma marca muito forte da Igreja Palavra Viva, então posso dizer que eu vejo o resultado disso dia após dia na prática. As pessoas respondem muito melhor ao amor do que ao medo, e acabam largando o pecado e seguindo uma vida reta de maneira muito mais orgânica e sincera do que quando se exige mudança ou morte, ou em outros palavras, quando se enfrenta o pecado à maneira clichê.

Então da próxima vez que alguém perguntar qual a grande diferença do Cristianismo, não responda por aquilo que se encontra em todo lugar, mas diga o que só se encontra no Evangelho: Graça.

Amém.

Imagem destacada: “Apple-aid !“, por Craig Sunter


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Sobre o autor

Filippe D. de Souza

Dono, editor e escritor do blog.
Pastor e líder de voluntários na Igreja Palavra Viva (rodapé), advogado, formado em Direito pela UFSC, cursando Teologia livre pela Unigrace.

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