Devocionais Vida cristã

Por empatia, mesmo que seja sem simpatia

“Já pensou o que se passa na cabeça de outra pessoa?”, diz o trailer daquele filme divertido. Não? Pois deveria. Cremos em misericórdia para nós mesmos, pois conhecemos nossos motivos. Sabemos quando erramos e, mais importante, por quê erramos: e aqui é o motivo de melhorarmos e seguirmos viagem.”Já pensou o que se passa na cabeça de outra pessoa?”, diz o trailer daquele filme. Não? Pois deveria. Cremos em misericórdia para nós mesmos, pois conhecemos nossos motivos. Sabemos quando erramos e, mais importante, por quê erramos: e aqui é o motivo de melhorarmos e seguirmos viagem.

Contudo, quando se trata do outro, só nos importamos com o erro. Queremos punição, vingança, destituímos o que a pessoa é por só vermos suas ações, destituídas dos motivos, ou seja, destituídas de quem ela é. Sabemos quem somos, sabemos quem as pessoas que amamos somos, mas não estamos nem para quem aqueles que erram conosco é.

Empatia é essencial para o estilo de vida que Jesus nos exortou a viver: amar nossos inimigos, perdoar as ofensas dos outros e por aí vai; e parte do exercício da empatia é o que os anciões nos ensinam desde que o mundo é mundo, qual seja, colocar-se no lugar do outro. O que se passa na cabeça do outro?

É fácil aceitarmos o perdão, pois conhecemos que nosso erro não é o que queríamos. Muitas vezes gostaríamos de ser melhores, mas erramos. O bem que queremos, não fazemos, enquanto que o mal que fazemos está sempre em nosso rastro.

É fácil também, oferecermos misericórdia a quem está perto de nossas vidas. Sabemos que nossos amados não nos machucam de propósito, ou que estavam em um dia ruim, conhecemos a sua vida, conhecemos mais ou menos o que se passa em sua cabeça, e por isso relevamos os erros, em prol do ser.

Mas estender esse braço de bondade e compreensão ao desconhecido que cruza nosso caminho não é tão simples, pois a verdade é que não nos interessa. Colocar-se no lugar de um desconhecido que me fechou no trânsito parece não ter motivo de ser, pensar nos motivos da vizinha de baixo que reclama de barulhos mínimos tem um “quê” autodestrutivo, e imaginar que talvez o colega de trabalho que falou mal de você não seja tão mau assim é algo absurdo. Empatia, quando direcionada ao antagonista, é algo louco.

Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. (1 Coríntios 1.27 NVI)

Amigos, somos Cristãos. Se somos Cristãos, nosso desafio é justamente subverter a lógica e amar ao próximo, inclusive o opositor, como a mim mesmo. A lógica do mundo está em Mateus 5.43, enquanto que a lógica do Reino está em Mateus 5.44.

Em suma, o mundo te diz pra relevar os erros dos seus amados, ter empatia com eles, colocar-se em seu lugar; o Reino te encoraja a ser maior, fazendo o mesmo com seu inimigo. O que convenhamos, nem sempre será possível, pois nós, afinal de contas, erramos. Mas não releguemos ao amor ao inimigo o status de atribuição divina, impossível de ser por nós alcançadas.

O dicionário Michaelis define “Empatia” como “Habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa.” ou ainda “Compreensão dos sentimentos, desejos, ideias e ações de outrem.”, enquanto que define “Simpatia” como “Afinidade entre duas ou mais pessoas pela semelhança e proximidade de sentimentos e pensamentos.” entre outros significados que envolvem afinidade, proximidade ou amizade.

A verdade é que um pode, sim, existir sem o outro. Esse é, talvez, um dos maiores desafios que o Evangelho nos faz. Tentemos melhorar, ter empatia até por quem não temos simpatia, estender ao próximo o amor que a nós foi estendido na cruz. Porque, queridos, nós erramos tanto… E mais importante: lembre-se de que há muitas coisas impossíveis aos homens, mas a Deus, em Cristo, pela Graça, tudo podemos.

Amém.

Imagem destacada: “Day 292 – We Know“, por Simeon Berg


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Sobre o autor

Filippe D. de Souza

Dono, editor e escritor do blog.
Pastor e líder de voluntários na Igreja Palavra Viva (rodapé), advogado, formado em Direito pela UFSC, cursando Teologia livre pela Unigrace.

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