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Dando graças pelo culto que deu errado

Eu participava de um projeto na minha igreja, o qual ajudei a fundar e dei nome, chamado Pulse. É mais do que um grupo de jovens, é um movimento dentro da igreja que busca atingir o jovem e, através dele, revolucionar a igreja e o mundo à sua volta todos os dias. Um dia, em uma reunião da liderança, Deus falou comigo e me deu a ideia deste texto.

Aconteceu que o culto anterior à reunião, nos bastidores, foi um desastre. Tivemos problemas no som, na multimídia, nas luzes… extremamente cansativo. E na reunião, obviamente, tudo isso foi tratado. Mas Deus falou comigo através desses problemas.

Em I Tessalonicenses 5.18 somos exortados a dar graças em todas as circunstâncias. Ou seja, devemos dar graças pelo som que deu problema, pela multimídia que não funcionou, pelas luzes que não deram certo, pela recepção que falhou… por todas as circunstâncias. Eu sei que isso parece loucura, mas não sou eu que estou dizendo. Pela fé, devemos acreditar nisso.

Mas como poderíamos, em sã consciência, dar graças por todas essas coisas ruins? Bom, em primeiro lugar, é isso que diferencia o cristão do mundano: a fé. Eu dou graças não pela circunstância que se apresenta, mas pelo Deus que é, independentemente dessas circunstâncias. Eu dou graças, pela fé.

Isso significa dizer que, apesar de tudo estar desmoronando, apesar de todos os problemas, eu dou graças. Pois independentemente desses problemas, meu Deus é. E aí reside o motivo da minha constante alegria, gratidão, esperança e fé: não naquilo que me cerca, mas naquilo que habita dentro de mim. E é em Deus, também, não nas minhas obras, que reside o sucesso do meu ministério.

É evidente que isso não anula a necessidade de continuar se reunindo e averiguar o que se pode fazer melhor. Afinal, por gratidão, a coisa mais deliciosa que existe é fazer o melhor para Deus. Como um criança que faz de tudo para agradar o seu Pai, esse é o sentimento que devemos ter em relação à obra de Deus. É até uma forma de dar graças.

Temos ainda Romanos 5.3-5, que diz o seguinte:

“Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.” (NVI)

Aqui o discurso fica mais louco ainda, pois Paulo deixa claro que devemos, de fato, ser gratos pelos problemas. Mas ele explicita muito bem o porquê disso. Vejamos o caso desse culto, por exemplo. Com o problema que enfrentamos nos projetores, o operador deles, acaso fosse um cara qualquer contratado para um evento, iria simplesmente pegar suas coisas, levantar e ir embora, pois não era problema dele. Mas o nosso operador ficou, correu atrás, resolveu em cima da hora, e fez acontecer.

A tribulação, no caso, fez perseverar, lutar, e vencer. Mas é claro que vencemos, temos Deus ao nosso lado, e é nisso que reside nossa esperança, que não pode falhar! Já vencemos, porque Ele já venceu! É isso que significa ser mais do que vencedores.

Da mesma forma foi em todas as outras áreas, com todos os outros agentes que quase perderam a cabeça no dia. Mesmo com falhas e erros, aconteceu. O culto foi uma bênção, pessoas foram recebidas, acolhidas, houve conversão de almas, e por isso glorificamos a Deus! E isso me leva ao segundo ponto que gostaria de tratar: a bondade de Deus para conosco ao permitir a tribulação.

Se Deus controla tudo em nossas vidas, se somos guiados pela vontade de Deus, então precisamos acreditar que até mesmo as tribulações vêm por vontade d’Ele. E isso não é problema nenhum quando entendemos o bem que as tribulações nos fazem, conforme o texto transcrito.

Acaso os cultos fossem todos perfeitos, sem problema nenhum, se tudo corresse bem, com extremo profissionalismo, certamente estaríamos muito confortáveis. Mas como ficaria o nosso coração, ao longo do tempo? Como poderíamos perseverar, se não houvesse nada que nos forçasse para trás? Como poderíamos moldar o caráter cristão, se não houvesse motivo para perseverar? E como poderíamos ter esperança em Deus, se não tivéssemos o caráter moldado? Acaso tudo corresse sempre bem, será que não depositaríamos nossa confiança no nosso profissionalismo, na nossa organização etc.? Deus permite que muita coisa dê errado, porque ele se importa conosco.

E Deus é tão sublime que, enquanto permite que tudo dê errado, para cuidar do coração da equipe responsável pelo culto, Ele não deixa de cuidar das pessoas que estão de fora disso e não deixa de cuidar do culto em si. Digo isso porque nesse culto onde tudo deu errado, 8 pessoas aceitaram a Cristo. Como podemos ter a audácia de dizer que “o culto deu errado”, quando pessoas foram salvas? Como temos a soberba de achar que a nossa organização, os nossos feitos, as nossas responsabilidades, são o que determinam o sucesso ou não do culto? Glória a Deus pela sua bondade e misericórdia.

Os problemas são a nossa oportunidade de moldarmos nosso caráter, de exercitarmos a nossa fé, assim fortalecendo-a. Os problemas são também a oportunidade para aprendermos a olhar não para eles, mas para Jesus Cristo. Veja Pedro, por exemplo: ele andou nas águas, e só afundou quando tirou os olhos de Cristo. Que possamos sempre manter os olhos fixos em Cristo, desviando o olhar dos problemas que nos cercam, por mais monstruosos que possam parecer, e por isso, por Cristo, nosso salvador, dar graças.

Precisamos entender também, de uma vez por todas, que nenhum mérito é nosso na obra de Deus. Ele não precisa dos nossos modelos de operação ou da nossa diligência. Ele só precisa do nosso coração. A obra não é nossa. Amém.

Foto: sem título, por Gavin Shaefer


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Sobre o autor

Filippe D. de Souza

Dono, editor e escritor do blog.
Pastor e líder de voluntários na Igreja Palavra Viva (rodapé), advogado, formado em Direito pela UFSC, cursando Teologia livre pela Unigrace.

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