Devocionais Vida espiritual

A ciclovia, a fortaleza e a construção da nossa casa espiritual

Escrito por Aline Ribeiro

No dia 21 de abril deste ano, a notícia que ocupou espaço em toda a mídia foi a queda da ciclovia Tim Maia, localizada no Rio de Janeiro. Parte do pacote de obras para os jogos olímpicos de agosto, a construção, inaugurada havia apenas três meses, foi abaixo, matando duas pessoas, num dia de ressaca nos mares cariocas.

Além de uma indignação enorme, esse episódio me trouxe à cabeça as lembranças de todos os fortes e fortalezas que já visitei. Com exceção de dois fortes, todos os outros ou tinham contato direto com o mar ou eram dentro dele. Um dos fortes, inclusive, foi desativado, pois a entrada contínua de água prejudicava tanto prisioneiros como soldados, que desfaleciam por pneumonia ou alguma outra doença adquirida com a colaboração de um ambiente extremamente úmido. Todas essas fortificações foram construídas entre 1550 e 1650. Todas estão de pé até hoje.

Qual a diferença entre as fortalezas e a ciclovia? Se falarmos de corrupção, alguns vão defender, com razão, que a corte portuguesa também lucrou muito com as construções. Porém, há algo gritante em relação às obras: o objetivo dos fortes era manter cada um dos presentes seguro, independente de ondas ou balas de canhão. Obras que levaram tempo e que tinham como principal objetivo a segurança. Bem diferente de uma obra com o custo de R$11 milhões/km, feita às pressas para ser entregue num prazo que tinha 7 anos para ser cumprido. Uma ciclovia de três meses, que perdeu um trecho que, ironicamente, estava ao lado de um viaduto centenário, e não aguentou a primeira ressaca. A diferença entre os dois pode ser resumida em uma palavra: prudência. E isso me leva a uma história bíblica parecida.

“Assim, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem sábio, que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e bateram com violência contra aquela casa, mas ela não caiu, pois tinha seus alicerces na rocha. Pois, todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e bateram com violência contra aquela casa, e ela desabou. E grande foi a sua ruína.” (Mateus 7.24-27 KJA)

Nesse texto, fica clara a noção de prudência de cada uma das partes, o sábio e o insensato. Ouvir a palavra de Deus e praticá-la é construir sua casa espiritual como uma fortificação: firme, de maneira que o vento, a ressaca e a chuva não consigam alterar o alicerce. Aguenta 500 anos de ondas batendo, canhões adversários, mas não afunda; está segura no firme fundamento que é Cristo.

Do outro lado, ouvir e não praticar se assemelha a construir sua casa espiritual como um jogo de Lego®: encaixando cada discurso que te comove, um por cima do outro, sem se preocupar se o terreno é seguro ou arredio. Até a primeira ressaca, ela pode aguentar bem, mas assim que for atingida por uma onda de maior tamanho, ela desmoronará.

Que a sua casa espiritual não seja apenas encaixada em Cristo, mas que esteja firmada e fundamentada nele. Afinal, você busca em Deus uma fé que te dê segurança ou um lazer que se dissipa na primeira ressaca?


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Sobre o autor

Aline Ribeiro

Cristã, bióloga, professora, bibliófila, meio nerd, meio escritora, meio pianista e, como a foto sugere, meio besta.

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