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A carne é fraca

Escrito por Aline Ribeiro

Na última semana, a mídia brasileira foi bombardeada com notícias sobre o “escândalo da carne”. Várias empresas estão sendo investigadas por venderem carne contaminada para consumidores brasileiros e estrangeiros. As reportagens deixaram em todos uma grande indagação: será possível confiar na carne novamente?

No mundo espiritual, a carne se refere ao corpo, à nossa parte animal. E esse assunto é muito recorrente em reuniões de estudo, debate ou até mesmo nos cultos. Entretanto, neste meio, esta questão é mais fácil responder. A resposta para a pergunta acima será sempre “não”. Seja na primeira ou na última vez. E travaremos batalhas contra a carne desde o dia de nossa conversão até o dia de nossa morte, o que torna essa discussão imprescindível para o crescimento espiritual.

Como herança de Adão, nossa carne já veio até nós contaminada. Não há nem uma parte dela que esteja livre desta contaminação, uma vez que, antes de Cristo, estávamos mortos em nossos pecados (Rm. 3.10-18 [o capítulo 5 também é excelente para aprender sobre o assunto]; Ef. 2.1-5). Se confiamos na carne, estamos confiando na capacidade do nosso corpo de lidar com situações que, às vezes, por inexperiência, não imaginamos que ele não consegue. Frases como “eu posso/consigo resistir”, “isso não me afeta tanto”, e outras, são predecessoras de momentos de queda.

A Bíblia, entretanto, nos fala que “a carne é fraca” (Mt. 24.41). Então, por que insistimos em depositar confiança em algo fraco, falho e contaminado? Porque essa é a nossa natureza! Quando não damos ouvido ao Espírito, a carne é quem nos domina (Jo. 6.63). São nossos sentimentos mais naturais e, por isso, os mais difíceis de se combater. Thomas Brooks (1608-1680) tem uma excelente frase sobre isso: “Livra-me, ó Deus, daquele homem mau: eu mesmo”.

Nossos desejos carnais são fortes e argumentam contra o Espírito (Gl. 5.17), alegando que são naturais e, por isso, devem ser expressados. E quando tratamos de desejos carnais, a maioria das pessoas logo pensa nos pecados sexuais. Mas eles não estão limitados a isso. Orgulho, soberba, vanglória estão todos relacionados ao nosso desejo carnal egoísta. Então, o campo é muito mais amplo do que muitas vezes imaginamos. Podemos ceder à carne das mais diversas formas.

E o que fazemos quando ouvimos esses anseios gritando dentro de nós? Bom, como humanos, é impossível a nós ignorar a todos. Pecamos todos os dias porque de certa forma damos ouvido ao que nosso corpo pede. Sabemos que não devemos, que somos orientados a crucificar nossa carne (Gl. 5.24), mas até o dia em que receberemos nossos corpos glorificados, cederemos e pecaremos, porque não estaremos acabados ainda, por mais que Cristo nos aperfeiçoe a cada dia. E isso nos servirá como um lembrete de que não conseguimos por nós mesmos.

“Então, o quê? Se você está me dizendo que é impossível combater essa carne, por que eu deveria continuar lutando? Não seria em vão? Há alguma maneira de conseguir vencê-la?”.

Bem, o quadro parece crítico, mas eu tenho uma Boa Notícia. Há mais ou menos dois mil anos, viveu um cara aqui na Terra que não cedeu a nenhum desejo da carne. Nem ao desejo mais forte de fugir da sua missão, quando ele estava prestes a completá-la. Aquele desejo que, se atendido, nos deixaria sem esperança, nos deixaria perdidos eternamente. Mas ele não cedeu. Ele aguentou, até o fim. Seu nome? Jesus Cristo. E porque ele aguentou, agora nós podemos aguentar. Não porque ele nos mostrou que nós temos poder, mas porque ele mostrou que tem poder suficiente para nós.

Quando ele foi pendurado no madeiro e erguido em nosso lugar, ele tomou sobre si toda força que a nossa carne podre, contaminada, poderia exercer sobre nós. E agora, porque ele venceu, nós também podemos vencer. Não é pela nossa força, não é pela nossa capacidade de resistir, não é porque temos algo de bom em nós mesmos, é por ele. Sempre foi e sempre será por causa dele. E se temos seu Espírito dentro de nós, então podemos lutar contra nós mesmos, pela força dele. Não somos mais escravos da nossa carne, porque ele nos libertou! Porque o seu poder é maior do que o poder do nosso corpo sobre nós. Porque ele é Senhor! Porque ele tem toda autoridade e domínio diante de si.

E então, o que faremos quando nossa carne gritar contra nós? O hino 460 da Harpa Cristã parece ter a resposta:

 

“Quando estás de tentação cercado, olha pra Cristo; olha pra Cristo;
Quando rugem hostes do pecado,
Olha pra teu salvador.”

Olhemos pra Ele. Olhemos pra Ele porque nele veremos o poder capaz de vencer qualquer pecado, o poder que venceu todo pecado. E sigamos um conselho que foi o primeiro de muitos dos que o John Piper me deu: Façamos Guerra!

Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei atuavam em nossos corpos, de forma que dávamos fruto para a morte. Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita. (Romanos 7.5-6 NVI)

Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Romanos 8.1-4 NVI)

Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. (Gálatas 5:16 NVI)

Amém.

Imagem destacada: “Meat Shop in Napoli“, por Kelly Hay


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Sobre o autor

Aline Ribeiro

Cristã, bióloga, professora, bibliófila, meio nerd, meio escritora, meio pianista e, como a foto sugere, meio besta.

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